terça-feira, 22 de junho de 2010

Vidas secas, porém alegres

O Nordeste brasileiro é tema de muitos livros e músicas. Ambas as manifestações culturais retratam os dois lados dessa região. O grande escritor Graciliano Ramos falou em seu livro Vidas Secas da aridez e miséria presentes no sertão nordestino. Em contra partida, Gonçalves Dias ressalta em sua Canção do Exílio uma terra de belas “palmeiras onde canta o sabiá”.

Na música regional encontramos as mesmas temáticas. Em Asa Branca, Luis Gonzaga e Umberto Texeira admirados com o “braseiro” e a “fornaia” que matou a plantação, lamentam: “Por que tamanha judiação”? Já Alceu Valença, em La Belle de Jour, canta da beleza da praia de Boa Viagem onde, numa bela “tarde de um domingo azul”, passeava uma “moça bonita” de olhos azuis.

Apesar das diferenças entre o litoral e o sertão desse canto do Brasil, a esperança, a simpatia, a inteligência e o espírito descontraído são marcas inerentes aos moradores dessa região. Prova disso é que de lá saíram bons humoristas como Renato Aragão, Tom Cavalcante e Chico Anísio e intelectuais como Paulo Freire, Gilberto Freire e Jô Soares.
Se você se encontrar com um nordestino, logo o identificará pelo sotaque e pela espontaneidade em iniciar uma conversa com alguém que esteja próximo. Também o reconhecerá porque tem orgulho do lugar de onde veio e sempre faz referência ao mesmo com histórias e expressões peculiares. Todos, seja com quem trabalhei ou conheci, nas diversas cidades em que passei, admitem que gostariam de retornar à terra natal, desde que haja lá as condições necessárias à sobrevivência.

Para isso, é necessário, no entanto, que a chuva volte a cair e amoleça, não apenas o solo, mas também o coração dos políticos nordestinos que, a exemplo de seus pares nacionais, vivem de explorar a miséria alheia. Assim sendo, a “asa branca” voltará a sobrevoar aquela região e as milhares de “rosinhas” terão seus maridos novamente, para juntos criarem seus filhos com dignidade.

Cleber Caires

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