‘Moda fugaz’? Esporte contraria previsão

Paixão pelo futebol está ligada ao espetáculo, aprendizado fácil e imprevisibilidade.
“O futebol é uma moda fugaz, vai haver por ai uma excitação, um furor dos demônios, um entusiasmo de fogo de palha que não durará um mês”. A frase do escritor Graciliano Ramos, se dita hoje, poderia ser tida como um absurdo. É só prestar atenção nas vésperas de copa do mundo, final do Brasileirão ou Libertadores, campeonatos regionais, qualquer coisa que envolva o futebol. Logo vira o assunto principal nas rodas de conversa: quem deveria ser convocado; qual a escalação ideal; qual o melhor sistema tático; etc. A previsão nem de longe se cumpriu.
Um exemplo clássico é quando começa a Copa. O país inteiro para durante os jogos da seleção. Os horários de funcionamento da indústria, comércio e setores públicos são alterados para que todos assistam, torçam e festejem em caso de vitória. Nesse período os brasileiros ficam ainda mais empolgados, mais fanáticos e mais nacionalistas do que nunca. O que tem o futebol, que exerce tanto fascínio sobre o povo brasileiro? O que ele tem que os outros esportes não têm?
Questão de cultura
Para o sociólogo Marcos Eduardo Lima, professor do Unasp (Centro Universitário Adventista), toda a paixão e preferência esportiva de um povo refletem o seu estilo e a sua mentalidade. “O futebol no Brasil veio junto do carnaval como uma das fontes mais importantes da identidade brasileira. É só observar os esportes mais populares entre americanos e brasileiros, para entender as diferenças entra as duas culturas”, esclarece.
Para os americanos esportes como o basquete e o foot-ball, jogado com as mãos, são muito mais interessantes pela pontuação e placar mudando o tempo todo. Os americanos acham o “nosso futebol” chato: onde se viu um jogo terminar zero a zero? A preferência esportiva americana mostra o culto à produtividade reinante, enquanto no Brasil, valoriza-se, o prazer de um belo espetáculo.
O estudante de direito da Mackenzie – SP, Alfred Shimitke, é corintiano e comenta que assim como os americanos acham o futebol brasileiro chato, a maioria dos brasileiros acha o futebol americano uma estupidez. “Prefiro ir ao meu Pacaembu, ver o brilho do Ronaldo, do que ver aqueles brutamontes se empurrando”, escarnece.
Brasil do futebol
O antropólogo da PUC – Rio, Roberto Da Matta, em seu livro O que faz o brasil, Brasil, considera que o futebol tornou-se uma instituição nacional, assim como a cachaça, o samba, o música sertaneja, etc. Esta preferência e identificação do brasileiro com o futebol, talvez se deva ao fato de ele ser jogado com os pés. Os esportes jogados com as mãos como o basquete, handebol e vôlei, necessitam de uma alta precisão técnica e tática. É pouco provável que uma equipe superior perca para um adversário inferior nestes esportes. A imprevisibilidade do jogo de futebol, não só no resultado, traz uma emoção muito mais forte e apreciada pelo brasileiro.
O futebol também funciona como um instrumento de integração social. Graças a ele, o brasileiro experimenta as vantagens da organização e saboreia o gosto da vitória. Ao torcer por seus times favoritos, as multidões sentem que o seu desempenho produz resultados palpáveis significativos para a conquista de títulos.
Joyce Meirelles
“O futebol é uma moda fugaz, vai haver por ai uma excitação, um furor dos demônios, um entusiasmo de fogo de palha que não durará um mês”. A frase do escritor Graciliano Ramos, se dita hoje, poderia ser tida como um absurdo. É só prestar atenção nas vésperas de copa do mundo, final do Brasileirão ou Libertadores, campeonatos regionais, qualquer coisa que envolva o futebol. Logo vira o assunto principal nas rodas de conversa: quem deveria ser convocado; qual a escalação ideal; qual o melhor sistema tático; etc. A previsão nem de longe se cumpriu.
Um exemplo clássico é quando começa a Copa. O país inteiro para durante os jogos da seleção. Os horários de funcionamento da indústria, comércio e setores públicos são alterados para que todos assistam, torçam e festejem em caso de vitória. Nesse período os brasileiros ficam ainda mais empolgados, mais fanáticos e mais nacionalistas do que nunca. O que tem o futebol, que exerce tanto fascínio sobre o povo brasileiro? O que ele tem que os outros esportes não têm?
Questão de cultura
Para o sociólogo Marcos Eduardo Lima, professor do Unasp (Centro Universitário Adventista), toda a paixão e preferência esportiva de um povo refletem o seu estilo e a sua mentalidade. “O futebol no Brasil veio junto do carnaval como uma das fontes mais importantes da identidade brasileira. É só observar os esportes mais populares entre americanos e brasileiros, para entender as diferenças entra as duas culturas”, esclarece.
Para os americanos esportes como o basquete e o foot-ball, jogado com as mãos, são muito mais interessantes pela pontuação e placar mudando o tempo todo. Os americanos acham o “nosso futebol” chato: onde se viu um jogo terminar zero a zero? A preferência esportiva americana mostra o culto à produtividade reinante, enquanto no Brasil, valoriza-se, o prazer de um belo espetáculo.
O estudante de direito da Mackenzie – SP, Alfred Shimitke, é corintiano e comenta que assim como os americanos acham o futebol brasileiro chato, a maioria dos brasileiros acha o futebol americano uma estupidez. “Prefiro ir ao meu Pacaembu, ver o brilho do Ronaldo, do que ver aqueles brutamontes se empurrando”, escarnece.
Brasil do futebol
O antropólogo da PUC – Rio, Roberto Da Matta, em seu livro O que faz o brasil, Brasil, considera que o futebol tornou-se uma instituição nacional, assim como a cachaça, o samba, o música sertaneja, etc. Esta preferência e identificação do brasileiro com o futebol, talvez se deva ao fato de ele ser jogado com os pés. Os esportes jogados com as mãos como o basquete, handebol e vôlei, necessitam de uma alta precisão técnica e tática. É pouco provável que uma equipe superior perca para um adversário inferior nestes esportes. A imprevisibilidade do jogo de futebol, não só no resultado, traz uma emoção muito mais forte e apreciada pelo brasileiro.
O futebol também funciona como um instrumento de integração social. Graças a ele, o brasileiro experimenta as vantagens da organização e saboreia o gosto da vitória. Ao torcer por seus times favoritos, as multidões sentem que o seu desempenho produz resultados palpáveis significativos para a conquista de títulos.
Joyce Meirelles







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