Como em qualquer atividade profissional, o musicista precisa ter um perfil adequado para o mercado de trabalho. Além de atuar como instrumentista em orquestras sinfônicas ou eventos, só para citar alguns, o profissional pode lecionar prática instrumental e vocal em conservatórios. Sem falar, é claro, da atuação em escolas e igrejas, regendo grupos musicais.
Sendo assim, o músico pode atuar em coros, cameratas e no ensino superior, por exemplo. O leque de oportunidades é amplo: diretor musical, maestro e até mesmo professor universitário são algumas opções. Tudo vai depender da formação – seja ela acadêmica ou não – do músico em questão.
Só que as salas de aula e o meio artístico não são as únicas alternativas rentáveis para o bacharel ou licenciado em música. A produção musical de CDs ou trilhas sonoras para filmes pode ser uma grande oportunidade, uma vez que o mercado nessa área é cada vez mais competitivo.
O jeito é se virar e correr atrás de rendas alternativas. Nesse sentido, a própria arte se apresenta de formas variadas. Na produção de documentários indies (alternativo), por exemplo, os serviços de produção de trilhas sonoras acaba representando um grande filão para músicos independentes. Tudo isso é possível, mas é preciso levar jeito para a coisa. “Um instrumentista precisa ter habilidade na execução sonora e rítmica”, salienta o professor de Música e diretor da Escola de Artes do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Vandir Schäffer. Segundo ele, a educação musical vai depender da prática instrumental e capacidade de assimilação teórica. “Qualquer profissão que exija um perfil para o mercado de trabalho será exigente para quem não desenvolveu essas competências”, assegura. Para Schäffer a atividade musical tem restrições como qualquer outra ocupação.
Remuneração
O salário de um músico varia bastante. Segundo Roberto Calderini, da Ordem dos Músicos de São Paulo, entidade que regulamenta e fiscaliza a profissão em todo o Estado, é difícil estabelecer um salário ou média de renda para toda a categoria. “A negociação de um cachê varia bastante. Vale lembrar também que esse contato entre o artista e o empresário é uma relação comercial e não apenas artística”, alega. Em função disso, o preço de um show de determinado cantor pode ser diferente em relação a outro. “No meio musical existe um termo que usamos bastante. É a prostituição do músico. Tem gente que estuda muito, aprende diferentes métodos, investe em acordoamento – dependendo do instumento – e repertório e tem de se submeter a um pagamento de 50 reais por noite”, reclama em alusão aos profissionais não regulamentados que cobram menos. “Aí fica difícil. Por causa de situações como estas, muitas vezes o musicista acaba aceitando uma remuneração inferior”, aponta.
Apesar da variação entre os salários, que pode chegar em média a um valor de 750 reais, segundo reportagem do site Empregos [http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/campus/profissoes/musicos.shtm], é possível obter uma renda um pouco mais estável, como em orquestras sinfônicas. Para isso, o candidato precisa ser aprovado em concurso público. A remuneração, que varia entre três e cinco mil reais, será feita de acordo com as licitações da prefeitura municipal onde foi feita a avaliação. Conforme explica o professor do Centro Universitário Adventista (Unasp) e doutor em Regência e Literatura pela Universidade norteamericana de Illinois, Jetro Meira de Oliveira, a carga horária semanal auxilia o profissional na realização de outras atividades. “Geralmente o instrumentista de uma orquestra tem os períodos da tarde e noite livres. A promotoria de eventos ou mesmo a docência universitária são boas oportunidades de ocupação extra”, analisa.
Educação musical
De acordo com o professor particular de viola, Jonas Góes, o estigma em relação à atividade musical é uma questão cultural e histórica. Ele cita a assimilação feita entre o violonista e a vida noturna. “Por ser um instrumento popular e gostoso de ouvir, o violão é utilizado com freqüência em bares e pubs. Mas isso não tem nada a ver com a habilidade, liberdade de movimentação e execução musical que o instrumento permite, ou o seu valor artístico”, defende.
Goes acredita que a educação de um país reflete a cultura musical comercializada pela indústria fonográfica. “O índice de analfabetização funcional ainda é alto no país. Isso vai refletir a realidade política e econômica na própria letra das músicas”, justifica. Além disso, o músico critica a influência dos meios de comunicação ao difundir essa imagem ruim para o profissional da música.
Leonardo Siqueira
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