terça-feira, 22 de junho de 2010

Um blog que virou negócio

Renato Marafon é um jovem de 24 anos, recém formado na faculdade. Apaixonado por cinema, poderia tê-lo como hobby, mas desde muito cedo decidiu transformá-lo em negócio. Em 1999 criou o Cinepipoca, que era então um blog sobre cinema. Dois anos depois, o projeto tornou-se o CinePOP e tomou proporções bem maiores, sendo um do maiores sites de cinema do país.Formado em Comunicação Social, o diretor do site – como prefere ser chamado - é jornalista, publicitário e crítico de cinema. Escreve para o CinePOP as notícias, fichas de filmes, matérias e críticas, além de cuidar da atualização, do visual e da programação. Apesar de ser bastante eclético, prefere os filmes com conteúdo pop e entre seus preferidos estão 'A Casa de Areia e Névoa', 'Moulin Rouge', 'O Sexto Sentido', 'Os Outros', Closer - Perto Demais', 'A Vida de David Gale', 'Entrevista com o Vampiro', 'Para Sempre Cinderela', 'A Fantástica Fábrica de Chocolates', 'Matrix', 'Kill Bill' e 'Procurando Nemo'.Em entrevista concedida ao MaisCult, o ganhador - por duas vezes- do Prêmio Ibest pelo trabalho desempenhado, fala sobre o pioneirismo do site e como consegue mantê-lo no ar depois de 11 anos.

MaisCult: O site CinePop (www.cinepop.com.br) foi criado em 2001, com objetivo de informar as pessoas sobre o mundo do cinema. Como surgiu a idéia de montá-lo?
Renato Marafon:
O site surgiu como um Hobby divertido, sem qualquer investimento ou verba, apenas muita vontade de construir um material informativo e repassar o amor pelo cinema que sentia. Mas após pouco tempo, o reconhecimento acabou surgindo, e o site começou a passar de hobby para pequena empresa. Comecei com apenas 11 anos e ainda estava no colegial. Inicialmente intitulado CinePipoca, ele não possuía um domínio ".com.br". A internet ainda era para poucos, e o meu escritório era em um cyber café, já que eu não tinha um computador ou sequer entendia de programação para montar o site. Em quatro anos comprei um computador com internet e me especializei em programação, criando assim o CinePop.A idéia de montar um site de cinema nasceu de um sonho que eu tinha de me tornar, um dia, um roteirista. Com apenas 12 anos, eu já havia acumulado dois roteiros para adaptar para os cinemas. O sonho de entrar para a indústria cinematográfica acabou não dando certo, afinal, quem iria levar à frente o projeto de uma "criança"? Ninguém. Mas, de um sonho surgiu um novo, e por maiores as dificuldades, consegui montar um site sólido, confiável, que acabou se tornando um dos maiores e mais respeitados sites do Brasil. Após dois anos que o site estava no ar, novas oportunidades surgiram: parceria com portais, uma equipe trabalhando nas informações e estruturas do site, distribuidoras se aliando ao projeto, personalidades elogiando nosso serviço. Hoje o site é composto por cinco profissionais da área, que colaboram com as informações e críticas, deixando-o assim democratizado e tornando os internautas nossa fonte de entusiasmo e suprindo necessidades. Assim deixei minha posição de "Dono" do site para "Diretor", já que ele se tornou um projeto maior e mais abrangente. Agora quem manda no portal são vocês.

MC: Como foi o desenvolvimento do site?
RM:
O começo sempre é o pior período. Como o site foi criado há 11 anos, a sorte foi ter acompanhado o boom da internet, conseguindo assim crescer junto com o fenômeno da mídia on-line e promovendo com boca-a-boca e grupos de pesquisa gratuítos. Mesmo assim, o site demorou quatro anos para começar a ter boa visibilidade e começar a atrair público.Iniciamos uma jornada para renovar o conteúdo que havia na internet e criar mais interatividade com os internautas. Criamos um prêmio de Cinema para a internet há 6 anos, e conseguimos atrair um grande público e muita mídia para nosso projeto. Desde então, o prêmio anual sempre atrai diversos visitantes novos. O site também sempre tem um crescimento de visitantes quando publicamos um material exclusivo.

MC: Quem são os responsáveis pelo conteúdo que vai para o site?
RM:
É um trabalho bastante complexo. Divide-se em duas partes: na primeira, as distribuidoras norte-americanas de cinema liberam o material para os sites especializados americanos. Assim que isso acontece, estamos preparados para traduzir essas informações, adaptá-las e adicioná-las no site, em questão de minutos. Meses depois, quando a estréia do filme está se aproximando em território nacional, as distribuidoras locais fazem o mesmo serviço, com todo o material já traduzido. É então que substituímos os cartazes e informações da produção para a versão nacional. Nesse meio também ficamos antenados a qualquer novidade que possa estar surgindo, correndo atrás de informações, personalidades ou qualquer fonte que possa nos dar algo exclusivo, sempre saindo à frente de outros sites da área.

MC: No início do CinePop, o site não tinha retorno financeiro. Hoje, com uma estrutura muito maior, com uma maior visibilidade na internet (com base nos números de acessos e o Top 10 do IBEST), há empresas que colocam suas propagandas no site. Essas empresas influenciam no conteúdo publicado?
RM:
De maneira alguma. Nosso conceito desde o início é trazer para os internautas um site cultural e informativo, tentando ao máximo utilizar uma visão apolítica das informações ou críticas, utilizando assim da ética para estruturar um trabalho limpo e bem produzido.

MC: Quantos são os acessos do site?
RM:
Nossas estatísticas são medidas de maneira diária e mensal e nos últimos dois anos tivemos um crescimento de aproximadamente 42% no número de acessos. Temos diariamente, em média, 21.000 Unique Visitors, que é o número de pessoas únicas que entram na página inicial do site, sem contar pessoas que acessam o site diretamente por outras páginas de conteúdo. Esse número aumenta quando se trata de Page Views, que é número de páginas vistas por dia. Neste caso temos mais de 135.000 páginas do Cinepop exibidas por dia.

MC: O que entra e o que fica de fora do CinePop? Por quê? Há gosto pessoal na escolha?
RM:
Não diria que pessoal, já que trabalhamos em equipe e temos de adequar nossas idéias para que se tornem a mesma. Mas em oito anos de carreira do site, já entendemos o que irá interessar nossos internautas e o que não. Então procuramos o máximo de informações possíveis que sabemos que irá agradá-los. Existe até uma relação tênue entre a equipe e os internautas, já que lemos todos os e-mails e buscamos colocar as informações que nos são questionadas. O Cinepop em nossa visão já deixou de ser apenas um site, e se tornou um "filho". E como sempre, queremos o melhor.

MC: Que tipo de conteúdo seu internauta gosta de ler?
RM:
Nosso carro-chefe atualmente é a sessão "Em Breve", que indica a data de lançamento de todos os filmes que irão chegar aos cinemas até 2011, com cartaz, sinopse, fotos e trailer. Procuramos também acrescentar o maior número de notícias de Cinema diariamente, para deixar nosso público o mais atualizado possível e chamar novos visitantes que procuram conteúdos mais vastos e estão cansados de sites que são pouco atualizados.

MC: Qual a maior dificuldade para manter o site atualizado?
RM
: Os dois maiores problemas que sempre enfrentamos é a falta de tempo e a falta de uma estrutura melhor das distribuidoras de filmes nacionais (que demoram a liberar informações). Mas dificuldades estão aí para serem ultrapassadas, e é essa nossa meta. Não é um trabalho, e sim uma diversão.

MC: De onde vêm os lucros do site?
RM:
O programa mais antigo que utilizamos é o do Google Adsense (venda de mídia tercerizada pelo Google). Os ganhos são em dólar, o que acaba gerando uma instabilidade devido à alta e baixa da moeda. Além disso, temos a venda direta para grandes empresas, o que gera um lucro maior. A veiculação das peças publicitárias inicia 24 horas após a confirmação de pagamento e a veiculação mínima é de 100.000 Exibições.

MC: Quais os planos futuros para o site?
RM:
Pretendemos sempre continuar inovando no conteúdo, e manter o que funciona. Durante esses 11 anos, aprendemos o que o nosso público gosta ou não, e sempre procuramos agradar ao máximo a todos, mantendo o público fiel ao nosso conteúdo e atraindo novos visitantes para o CinePOP.

Ainoã Scatolin

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