terça-feira, 22 de junho de 2010

“O importante é que emoções eu vivi”

Eu me tornei o que sou hoje aos 24 anos, numa noite gélida do inverno de 2010, quando minha professora de Webjornalismo me incumbiu de escrever as crônicas da sessão Ponto de Vista da revista Mais Cult. Quem já leu o livro o Caçador de Pipas do escritor Khaled Hosseini, certamente percebeu que a frase de abertura desse parágrafo é uma paráfrase à abertura do romance.

Quão bom é mergulhar em uma obra literária e deixar a história nos levar pelos cantos mais remotos da imaginação ou da relidade vivida por outra pessoa a milhares de quilômetros de distância. No caso do caçador de pipas, é interessante ficar daqui do ocidente imaginando a Cabul descrita por Hosseini: sem ruínas, sem guerra, onde as crianças podiam brincar e correr atrás de pipas. Uma Cabul bem diferente do que vemos nos jornais hoje!

Quanta emoção é ler a história dos “miseráveis” Jean Valjean, Fantine, cosetti na conflituosa França do século 19 descrita por Vitor Hugo e poder identificar em nossos dias situações de desventuras semelhantes. Que legal também é assistir a um filme ou um seriado que discuta a realidade da vida ou que nos confronte com os seus extremos, despertando em nós sentimentos os mais diversos e confusos possíveis: alegria, tristeza, prazer, ódio, repulsa. Estes dois últimos, o filme “Ensaio Sobre Cegueira” soube despertar muita bem.

Dizem que homem não chora, mas diante de um filme como O Amor é Contagioso, um livro de história envolvente como Crônicas de Uma Morte Anunciada - neste o leitor quase perde o fôlego com a narrativa que Gabriel García Márques faz de Cristo Bedoya correndo pelas ruas procurando por seu amigo Santiago Nasar para avisá-lo que os irmãos Vicario haviam anunciado que o matariam.

E o que dizer de ligar o rádio altas horas da noite e ouvir uma música que não foi você quem escolheu, mas que cala fundo em teu coração e te faz viajar pelo passado, revivendo cada momento especial de sua vida? Se outros homens não choram, não sei. Diante de tais manifestações culturais, porém, confesso que, eu, muitas vezes chorei e outras tantas sorri, mas como diria Roberto Carlos: “o importante é que emoções eu vivi”.

Cleber Caires

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