Orquestras digitais
De olho no crescimento dos usuários de internet, as orquestras passaram a enxergar isso como uma oportunidade de aproximação com seu público-alvo. Em uma sociedade cada vez mais audiovisual, elas perceberam a necessidade de disponibilizar não mais apenas o calendário anual de concertos, mas de criar canais de relacionamento em redes sociais e oferecer vídeos e áudios aos internautas. É o que já faz há um bom tempo, por exemplo, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).Mas ela não é a única. Existem projetos mais ousados circulando pela rede. Em 2008 o Youtube, hoje o maior portal de vídeos da internet, deu início a algo inédito: a formação da primeira orquestra colabrativa online. Batizada de Youtube Symphony Orchestra, ela foi dirigida pelo maestro chinês Tan Dun, que compôs as trilhas do filme "O tigre e o Dragão" e das Olímpíadas de Pequim. Com o título Internet Symphony No. 1 - "Eroica", Dun criou uma obra exclusiva para o projeto, mesclando os sons do cotidiano a obras clássicas, como a Sinfonia nº 3 de Beethoven, também conhecida como Eroica.
Gravada pela Orquestra Sinfônica de Londres, a música ganhou a internet e atraiu o olhar de diversos internautas-instrumentistas. No entanto, a parte principal veio depois. Para formar a orquestra colaborativa, o músico assistia o vídeo, baixava a partitura para o seu instrumento, gravava sua performance e postava no Youtube. Um juri, que também contou com a avaliação dos próprios navegantes, escolheu quem teve o melhor desempenho. O prêmio? Eles integraram uma orquestra de verdade, que se apresentou no Carnagie Hall, em Nova York, com tudo pago, além de ser regida pelo renomado maestro Michael Tilson Thomas, da Sinfônica de São Francisco. O concerto ocorreu no dia 15 de abril de 2009 e está disponível, na íntegra, na internet.
Ao vivo, sem sair de casa
Outra iniciativa diferente é a que tem feito a Orquestra Filarmônica de Berlim, que encarou com otimismo as mudanças tecnológicas. Já considerada a melhor do mundo, com uma respeitada discografia, sonoridade ímpar e dirigida pelos mais renomados maestros, ela agora oferece seus concertos ao vivo, em tempo real.Chamada de Digital Concert Hall, desde a temporada 2008/2009 é possível assistir diversos concertos sem sair de casa. O internauta pode comprar ingressos individuais para acompanhar determinados programas ou pode adquirir um pacote que dá acesso livre a todos os concertos ao vivo e aqueles disponíveis no banco de dados. Áudio e imagens em alta definição buscam tornar a experiência a mais real possível. Abaixo, o vídeo de apresentação da temporada 2009-2010.
E nesse universo tecnológico, não é preciso dizer que o Twitter é uma das ferramentas obrigatórias. Mark Van Bree, consultor de comunicação e mídias sociais para instituições culturais, disponibilizou no ano passado uma lista de entidades, músicos, críticos e até jornais que cobrem os concertos e que estão online. E esses são alguns poucos exemplo da forma como as orquestras estão se portando diante da revolução digital, buscando caminhos e fórmulas para manter viva as músicas que atravessaram os séculos.
Jefferson Paradello







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