terça-feira, 15 de junho de 2010

O menino do pijama listrado de John Boyne


Editora: Companhia das Letras Nº. de páginas: 192

Bruno é um menino de nove anos que mora em Berlim com a família e sabe muito pouco da vida além do que acontece fora de sua casa e escola. O que ele descobre logo no ínicio do livro é que ele e a família terão que se mudar de Berlim, por conta do emprego do pai e ordens de seu chefe. Contextualizando, estamos na década de 40, em plena segunda guerra mundial o pai de Bruno é um militar alemão que responde diretamente a Hitler e a família muda para a casa vizinha ao campo de concentração de Auschwitz.

Com o passar do tempo Bruno vai se adaptando a nova situação descobrindo mais sobre a família, sobre a Alemanha e sobre os vizinhos que moram do outro lado da cerca e só vestem a mesmo traje. E é por acaso que em uma exploração das redondezas, Bruno faz amizade com um menino que sempre veste um curioso pijama listrado. E essa amizade mudará a vida de ambos.

Apesar de ser uma história inusitada, já que é vista pelos olhos de uma criança, falta muito mais visão do Holoucausto em si. A história basicamente é focada em Bruno e nas relações familiares. Alguns personagens são muito mal construídos em determinados momentos esquecemos que eles existem. Tudo gira em torno de Bruno suas insatisfações e indagações a respeito do destino de sua família e os mistérios que cercam os vizinhos do outro lado da cerca.

O grande erro de Boyne está em assoprar demais a ferida e não mostrar mais a crueldade e realidade do campo de concentração. E nos momentos em que são mostrados o efeito é minimizado pela inocência de Bruno que sempre tenta arranjar alguma explicação para as cenas de abuso dos soldados.

Faltou ainda um maior detalhe histórico, pois temos alguns fatos aleatórios jogados ao leitor, mas repito, culpa da ignorância ou inocência de Bruno. Mesmo assim vale a pena ler o livro, Boyne tem alguns bons momentos, os quais não citarei aqui para não estragar as surpresas e muito menos o final surpreendente que o livro relata. O ponto alto é justamente a amizade entre Bruno e Shamuel e o nó na garganta que nos dá a cada página lida.

Confira aqui uma entrevista com o Dr. Reinaldo Siqueira, sobre as seqüelas do Holocausto na comunidade judaica.




Joyce Meirelles

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