terça-feira, 15 de junho de 2010

Brasília de belos prédios, boa música e muita desigualdade

Dizem por aí que o Brasil é um país de todos, no entanto, mais parece terra de ninguém, ou melhor: de poucos. Essa é a dura certeza que eu tive ao visitar a capital federal. Quando se pensa em Brasília só vem à mente o chamado Plano Piloto, projetado por Lúcio Costa e dentro do qual estão plantadas as lindas obras curvas de Oscar Niemeyer.

Elas são: o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, a catedral e os prédios dos ministérios. Quando vi essas construções de uma beleza e requinte, pensei no quanto são desproporcionais ao restante do país. Todo brasileiro deveria ter a oportunidade de conhecer a capital e, em especial, o Congresso Nacional. Estar ali por alguns minutos, acompanhado por um guia me permitiu aprender sobre a história da política brasileira e ver como funciona, - ou como pouco funciona, uma vez que muitos dos parlamentares quase não comparecem ao trabalho.

Se você já viu a “Utopia da Modernidade” certamente se pergunta o porquê de tantas curvas. Niemeyer, o centenário arquiteto responde em seu livro de crônicas: “Não é o ângulo reto que me atrai nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein".

Porém, o Distrito Federal não é composto apenas de Lago Sul, Granja do Torto e Esplanada dos Ministérios. Que maravilha seria, se toda a Brasília de JK fosse como estes lugares! Lá também existem Arniqueira, Vicente Pires, Ceilândia, etc, onde existem pessoas humildes, ruas sem asfalto e cheias de buraco e muita violência.

Em meio a tantos monumentos públicos, Brasília também tem lindas propriedades privadas. Entre elas está o Lago Paranoá, lugar onde a elite brasiliense passeia com seus Jet Skis e surfa em suas pranchas como escreveu Natiruts na música Surfista do Lago Paranoá. A letra ainda diz mais: “Mas pra quê que eu quero o mar, se tenho o lago só pra mim”. Já que nos lembramos de uma banda, é importante ressaltar que a música é uma atração à parte na terra de Renato Russo.

Brasília foi um berço de bons grupos musicais: Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Raimundos e de solos como Cássia Eller e Zélia Duncan. Quem visitar à Brasília se encantará com a beleza dos monumentos e com a história musical, mas certamente se decepcionará com a desigualdade social brasiliense e com a flexibilidade e as curvas de caráter dos políticos. Uma coisa terá certeza: o Plano Piloto é um protótipo do que deveria ser o Brasil, “um país de todos”.

Cleber Caires

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