Ópera, maestro!
Um ano e meio após sua controversa saída da direção artística e do posto de regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), o maestro John Neschiling retorna ao cenário musical brasileiro em uma nova empreitada: dirigir a ópera O Barbeiro de Sevilha (1816), do compositor italiano Giachino Rossini.Essa, aliás, é a primeira obra apresentada pela Companhia Brasileira de Ópera, criada no ano passado e encabeçada pelo próprio Neschiling e o diretor-executivo José Roberto Walker, que na década de 1990 foi gestor financeiro da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
A proposta do maestro para o cenário cultural brasileiro é inovadora. Apesar de não ser um gênero tão conhecido e difundido no Brasil, as apostas, bem como as dificuldades para levá-las ao público, são grandes. O custo para que o projeto saísse do papel foi estimado em R$ 10,4 milhões de reais. Desses, o Ministério da Cultura injetou a metade, ficando o restante a cargo da Petrobras e Banco do Brasil.
A estreia da ópera está prevista para o próximo dia 24, em Belo Horizonte e, até novembro, passará por outras 15 cidades brasileiras. O quadro é integrado por 50 músicos que se alternarão ao longo do projeto, já que nem sempre será possível que todos viagem pelo País. Já os cantores, serão ao todo 24, e entre eles estarão sete italianos. A partir dessa primeira obra, a Companhia espera expandir a ópera no Brasil e levá-la não somente aos palcos, mas também a um público que nunca teve contato com ela anteriormente.
A escolha por essa obra está ligada à facilidade de transportá-la. O cenário será composto pelas animações – que foram encomendadas especialmente para a ocasião - do americano Joshua Sheld, que serão projetadas em um telão de 6m x 8m, com as quais os cantores irão interagir. Um trecho, gravado em um dos ensaios, pode ser visto aqui.
Serão apresentadas 85 récitas, algumas com até 2h e meia de duração. Haverá também uma versão de 50 minutos para crianças. Os ingressos viriam entre R$ 5 e 84. Apesar de ter ficado à frente da Osesp durante 11 anos, Neschiling não é um estreiante nesse cenário. Antes de voltar ao Brasil para assumir e reerguer a Orquestra, Neschiling dirigiu casas de ópera na Suíça e na França.
No vídeo abaixo, um trecho da obra.
Outras curiosidades
Não faz muito tempo, mas o maestro John Neschiling, que após ficar longe dos holofotes da mídia nos últimos meses, resolveu lançar um blog para compartilhar seus pensamentos com aqueles que possuem interesse em seu trabalho. Lá encontra-se de tudo. Desde textos de cunho político e reflexões sobre música, até histórias pessoais e comentários sobre o trabalho da Companhia Brasileira de Ópera.
Jefferson Paradello
Com informações da Folha, Estadão e O Globo







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